Uma aventura lusa, além fronteiras

Hoje deixo-vos um post diferente e contado na primeira pessoa. A história de Marisa, uma jovem portuguesa que um dia se aventurou além fronteiras e, apesar da enorme saudade, adaptou-se ao estilo de vida de um país estranho, para ter melhores condições de vida.

«Viver num pais que não é o meu, que mal conheço, parece hoje a maior loucura que cometi. Claro, tem todas as suas regalias.

Posso viver e sobreviver, sem estar a pensar “como será que me vou organizar no mês corrente?”. Ainda que AME o meu país, como todos sabem, neste momento não é o lugar certo para viver sendo mãe solteira, ou oferecer um bom futuro à minha filha .

A Holanda é um país muito bonito. Com os seus enormes espaços verdes, florestas e bosques. Bem organizado, ajustado para satisfazer as necessidades básicas de quem cá vive. Neste momento está a sentir alguns sinais da crise, mas nada parecido com Portugal. Nem sei se as pessoas de forma geral se dão conta!

Começar uma vida nova aqui e bastante fácil, a partir do momento em que nos registamos e fazemos um seguro de vida, que aqui é obrigatório. O resto vem com o tempo e persistência.

O mais complicado será encontrar onde ficar. Se à partida a pessoa tem onde ficar, pode fazer o registo e o seguro de vida. Depois é só ir às agências de trabalho, mesmo que com um inglês básico e eles encontram o trabalho adequado. Pode demorar entre 3 a 6 meses, depende da agência e da procura, mas é quase certo que encontram. Ajuda muito contar com um bom “pé de meia”.

Algumas agências recrutam a partir de Portugal, oferecendo trabalho e estadia, mas não são das melhores. No entanto, se a pessoa for organizada, ou seja poupada, é sempre possível encontrar algo melhor mais tarde.

O trabalho que é oferecido pelas agências geralmente é em fabricas. Aqui é preciso estar preparado para embalar carne (hambúrgueres, salsichas, peitos de frango, etc.), depenar galinhas, empacotar artigos pré-seleccionados, montar artigos eléctricos…etc. Nestes trabalhos o salário chega a ser 3 vezes mais alto que um salário mínimo em Portugal!

MarisaFBNo meu caso, sendo mãe solteira, a maior vantagem é a ajuda que eles dão. Para eles a educação e crescimento da criança são muito importantes, por isso ajudam com abono, subsídios de família e com um programa de integração para crianças de pais estrangeiros, para que estas tenham as mesmas oportunidades que uma criança nativa. Com tudo isto pode-se considerar mais do que muito bom viver aqui!

Mas no final do dia se não tens família perto de ti, tudo parece vazio. As saudades são tão fatais como uma gripe que não cura. Por isso, dizem que emigrar não é para todos. E por isso tantas vezes quem vem sozinho perde‑se antes de chegar a algum lado.

Saudade, cantamo-la nós, Portugueses, como ninguém. Aprendi que não é à toa!

No final, sim, é bom ter uma vida mais tranquila, dar mais oportunidades de futuro à minha menina. E bom poder contar com uma família que se criou no outro lado do mundo. Que te faz sentir quase tão amada e protegida como a tua própria família. Mas perco a conta às vezes que gostaria de ligar a uma amiga para irmos jantar ao chinês, que já passou a ser o nosso local para partilhar as loucuras da vida. Ou simplesmente ligar para dizer coisas sem sentido. Poder planear jantar em casa dos pais, ir a Belém almoçar com a cunhada e os sobrinhos. Ir ao cinema depois das 20h, ficar no café à conversa com os amigos… Existem tantas coisas que nem pensava que eram importantes… mas que hoje me dão tanta saudade!»

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